Um livro da Editorial Presença, que está na nossa BE com o
número 15006.
O Clube de Leitura recomenda vivamente este livro: será uma excelente leitura de férias: 444 páginas de puro deleite.
Uma
história muito bem escrita, sobre uma mulher que sofreu grandes desgostos e que
teve de procurar e esperar, pacientemente, o apaziguamento. Porque todos
sabemos como é difícil levantar a cabeça e reencontrar forças para continuar a
viver, quando a vida nos tirou tudo, mesmo tudo. A tábua de salvação poderá
estar no amigo que nos faz um chá, num pedaço de terra onde plantamos uns
legumes, que depois vamos vendo crescer, ou ainda, no sofrimento dos outros,
porque ver a dor por que passam os outros também nos ajuda a relativizar a
nossa…
Não devemos olhar para esta história como uma moralidade,
ela não nos quer ensinar nada. Só nos convoca para uma empatia profunda com a
Violette Toussaint (Trenet, de solteira).
A narrativa tem diferentes narradores, diferentes géneros:
diário, cartas, obituários; prolepses e analepses, diversas linhas de ação. No
fim, tudo se encontra, tudo se desenlaça numa felicidade possível.
Um projeto de leitura com este livro permitirá cruzamento
com qualquer temática das obras de Português: o amor, a morte (tema principal
do romance), a amizade, a natureza, o vegetarianismo, a viagem… a condição da
mulher, o casamento, a maternidade… o bem e o mal, o começo e o fim, o encontro
e o desencontro…
Vê a relação com a lírica trovadoresca, com a Farsa de Inês
Pereira, com a lírica camoniana…
Violette trabalhava como guarda numa passagem de nível,
vendo os comboios passar e as viagens dos outros, depois vai trabalhar como
guarda de um cemitério, vendo o fim dessas viagens, não é? A viagem como
metáfora é um recurso de grande potencialidade na literatura.
“É preciso aprender a dar a sua ausência aos que não
compreenderam a importância da sua presença.” (p. 91)
Procura o teu Clube de Leitura. Estamos aqui, na BE, para te
ajudar.

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